terça-feira, 4 de março de 2008

O despertar de um novo tempo.

A imagem do Rio Cariús de águas barrentas,
e mata ciliar densa, nos leva a uma reflexão,
sobre o que pensa nossa população, a respeito
da necessidade de preservação, e de sua recuperação.

Em Ilha Solteira, no interior de São Paulo,
muito me impressionou a preocupação ecológica
da administração municipal, que para dar suporte
ao ensino de educação ambiental nas escolas,
criou um espaço com viveiro público,
onde se produzem milhares de mudas frutíferas
e ornamentais, com o intuito de criar uma consciência
de recuperação dos espaços verdes não só no município,
como das cidades adjacentes. O resultado conseguido
faz brilhar aos olhos de todos que visitam aquela região.
Casas floridas, alamedas arborizadas, e uma população
com um jeito todo especial de ser, e de viver.

Farias Brito tem tudo para copiar esse modelo,
e ser uma cidade diferente e especial, enchendo
os olhos de quem nos visite. Fico imaginando cada um
fazendo a sua parte, dando um toque especial nas suas
casas, e recuperando as margens ciliares do rio e de seus
afluentes. Um passeio até a Betanha, Quincuncá,
e outros distritos teriam um sabor todo especial,
com o descortinar de acácias, bouganvilles, flamboyants,
espirradeiras, e mais uma centena de belos arranjos florais,
sem contar as belas sombras, que se criariam para o nosso
descanso do sol escaldante.

Há alguns anos atrás, vi uma semente plantada de uma ONG,
se não me recordo Juriti, que encheu de esperança,
a todos que sonham com o despertar dessa consciência,
no nosso município.

Guardo com muito carinho um exemplar de um livro
“Inventário dos Estoques e Perdas dos Estoques Naturais
do Município de FARIAS BRITO” , de Eldinho Pereira da Silva,
que nos deu uma grande contribuição, e nos fez consciente
do papel de se pensar urgente a problemática da preservação natural.

Nesse momento que se discute a escassez de material didático
nas escolas sobre o assunto, e a tão decantada “ Transposição
do Rio São Francisco”, é necessário que cada um traga essa
discussão para o seu dia-a-dia, com a consciência que é chegada
a hora, de que cada um tem que fazer a sua parte.

Elmano Rodrigues Pinheiro

6 comentários:

Taciano Pinheiro disse...

Ah, isso seria muito bom! Se todos nós tivéssemos essa consciência, viveríamos bem melhor hoje em dia! Fica a dica para nós e para os governantes: preservar!

Joilson Kariry Rodrigues disse...

Maravilhosa a sua exposição! muito bem escrito, muito bem dito... também tenho muita saudade do sertão. A gente sai do sertão, mas o sertão nunca sai da gente. Acho que o rio carius corre nas veias de todo mundo que foi criança no Quixará.
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Por falar nisso, em Quixará, que nome lindo, né? Quixará, Quixará... Raimundo Farias Brito que me perdoe, mas Quixará não é só um nome, é uma sina, uma sentença maravilhosa de carregar. É a rima bem colocada pra qualquer verso. Estufa o peito, sertanejo e diga: sou do Quixará...
Fala, Elmano, fala bem alto: Sou do Quixará, dotô...
E nas minhas veias não corre sangue, corre o rio Cariús, onde mora o peixe Cari, a traíra, a curmatã, o câgado.
O povo de lá, dotô, tem fala diferente de todo resto do sertão. É uma fala de quem canta...
É poesia pura.
Sou do Quixará!

Prof Cicero Menezes disse...

Vejo que o blog está ficando cada vez mais autêntico. E agora a participação do Elmano ficou cada vez mais rico. Abraços

Menezes

Yuri Lacerda disse...

Elmano, fico feliz com sua participação no Blog com seus excelentes textos! Parabéns e seja mais que bem-vindo!

Simone disse...

Fico feliz pelo crescimento de minha cidade natal, muito me orgulha saber que posso ficar por dentro do que acontece lá mesmo morando um pouco longe, parabéns aos idealizadores e muita sorte com o projeto!
Um abraço,Simone Linard.

elmano rodrigues pinheiro disse...

Resgatar a nossa gente, nossas tradições, e nossos costumes, é o dever de todo aquele que tem uma dívida com o seu passado.
Estávamos precisando desse resgate,e este Blog nos está dando essa oportunidade,criando um espaço democrático para escrever nossa memória.
Esse abraço em volta da nossa cidade, nos une num só ideal, recuperar no menor tempo possível, tudo aquilo que há muito estava perdido.
Um voto de louvor ao Aristides, que de longe veio nos ensinar, o quanto é importante o que nos foi legado.